Veja quais são as queixas sexuais mais comuns das mulheres
Os mitos e mistérios do orgasmo ainda são, segundo os sexólogos, as maiores fontes de dúvidas e queixas sexuais. A dificuldade e a pouca frequência com que se chega do clímax raramente têm causas orgânicas. Fatores educacionais e culturais repressores são as maiores razões para a anulação do prazer. "Eu acho que só fui gozar uns cinco anos depois de perder a virgindade. Mas só aprendi como a coisa funciona pela masturbação. Vi como meu corpo reagia, o que eu gostava, o que não gostava. Hoje em dia sei bem as posições que me favorecem mais", comenta a bancária Mirian Bregman.
O sexólogo e ginecologista Gerson Lopes confirma que se permitir a esse conhecimento é a melhor forma de se proporcionar o clímax. "É muito mais fácil quando se sabe o funcionamento do próprio corpo e isso se dá com mais sucesso fantasiando a partir do toque. Depois, com o parceiro, ela vai buscar estímulos mais efetivos no clitóris, como sexo oral ou uso de massageadores e vibradores. Eu só não recomendo o uso do lençol ou da fricção entre as coxas porque isso vai criar a dependência de um artifício", recomenda.
Gerson ressalta a crueldade do que chama de "ditadura do orgasmo". "Ela é uma das maiores violências domésticas que nós temos hoje. Vejo mulheres entrando em depressão porque não conseguem chegar até ele", comenta. O problema começa entre os mitos que rondam o prazer feminino. "Entre as jovens, a internalização dessa obrigação é maior. O orgasmo vem permeado de uma série de mentiras como de que existem dois tipos, clitoriano e vaginal; que tem de ser simultâneo; que tem de ser no coito. E a confusão de que orgasmo e prazer são sinônimos. Não são", comenta.
Outra queixa constante nos consultórios diz respeito à baixa libido. Como nas dificuldades orgásticas, são os aspectos psicológicos que acabam levando vantagem em cima da biologia. Para o psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr, do Instituto Paulista de Sexualidade, os problemas ligados à falta de apetite sexual estão relacionados às incapacidades individuais de superar certas circunstâncias da vida. "Algumas pessoas que se queixam disso entram em ansiedade e não desenvolvem o comportamento sexual. Então, a diminuição do desejo passa a ser causada pela incapacidade do indivíduo de lidar com situações novas, diferentes ou problemáticas. Podemos dizer que é uma dificuldade de administração", acredita.
Por ironia do destino, as mulheres que gerenciam casa, filhos e trabalho, são as maiores vítimas dessa dificuldade. "A sexualidade feminina está muito ligada ao estado psicológico. A mulher precisa de estímulos preliminares mais demorados e intensos e precisa estar mais acessível à sexualidade para poder exercê-la", diz a sexóloga Glene Faria, incluindo a menopausa na discussão. "É um período de transição, de conflitos emocionais e questionamentos. Tudo isso ajuda na diminuição do desejo", afirma.
Glene, entretanto, ressalta um fenômeno recente: se antes, as queixas sobre baixa libido vinham em sua maioria de mulheres mais experientes, o problema agora começa a incomodar também os mais jovens. "Os casais hoje, com maior liberdade comportamental, começam a se relacionar sexualmente desde cedo e caem na chamada rotina ainda dentro do namoro. O quadro das mesmas duas pessoas fazendo sexo do mesmo jeito é a raiz da questão", comenta ela. E o ponto de partida para a solução é na psiquê feminina. "Velas perfumadas, música, lingeries, ambiente diferente. Estímulos que façam a mulher pensar em sexo. Quando isso acontece, o corpo responde", acrescenta ela.
As reclamações não exatamente sobre a própria sexualidade mas sim sobre o desempenho do parceiro, se acaloram nos clubes da Luluzinha. Entre as reincidências masculinas, a que incomoda maior parte de mulheres é o, digamos, excesso de pragmatismo. "Eu detesto homem que chega e só quer saber da penetração ou forçar o sexo oral. Parece que nunca foram para cama com uma mulher na vida e não sabem como funciona. Todo mundo sabe que a gente gosta de envolvimento, preliminares quentes, demoradas, pra relaxar, curtir e fazer o que dá vontade", comenta a secretária executiva Alessandra Daniel.
A advogada Gabriela Trindade também tem trauma desse tipo de comportamento. "Tive um namorado que era assim na cama e era um inferno. Me sentia um objeto, uma boneca inflável. Não me sentia transando com o cara que eu amava e que me amava também. Toda vez em que a gente ia pra cama, eu tinha que pedir pra ele fazer o que eu queria e muitas vezes sentia que ele ia de má vontade. Se depois de seis meses de relacionamento, com o cara sabendo especificamente do que você gosta e mesmo assim ele só fazendo o que lhe interessa, não tem jeito. É incompetência ou egoísmo", reclama ela.
Mas quem acha que, ao menos depois que a coisa acaba, cerram-se os problemas está muito enganado. "A transa pode ter sido até muito boa, mas quando o cara goza, vira pro lado e dorme, fico arrasada", queixa-se a engenheira mecânica Carolina Montaz. Ela é das que acha que "depois do amor", é hora de ficar juntinho na cama, trocar palavras apaixonadas e comer frutas. "Eu sei até que minha exigência é um pouco forte, mas eu acho um momento crucial. Embora eu entenda o cansaço físico do cara e a descarga energética que acontece ali. Eu mesmo quando estou com sono, não consigo ficar lutando contra ele", pondera ela.
A sexóloga e terapeuta de casais Margareth Labate conclui, lembrando a importância do diálogo dentro e fora da cama. "Não é só na hora do ato em si que a gente descobre o que é bom ou ruim para a gente e para o outro. É preciso tratar o sexo com honestidade e ter um diálogo aberto com o parceiro sobre o comportamento do casal", diz ela, comentando que o sexo pode até ser ainda um tabu na sociedade, mas que é o respeito e a conversa entre quatro paredes as soluções para tantas queixas.
Mas quem acha que, ao menos depois que a coisa acaba, cerram-se os problemas está muito enganado. "A transa pode ter sido até muito boa, mas quando o cara goza, vira pro lado e dorme, fico arrasada", queixa-se a engenheira mecânica Carolina Montaz. Ela é das que acha que "depois do amor", é hora de ficar juntinho na cama, trocar palavras apaixonadas e comer frutas. "Eu sei até que minha exigência é um pouco forte, mas eu acho um momento crucial. Embora eu entenda o cansaço físico do cara e a descarga energética que acontece ali. Eu mesmo quando estou com sono, não consigo ficar lutando contra ele", pondera ela.
A sexóloga e terapeuta de casais Margareth Labate conclui, lembrando a importância do diálogo dentro e fora da cama. "Não é só na hora do ato em si que a gente descobre o que é bom ou ruim para a gente e para o outro. É preciso tratar o sexo com honestidade e ter um diálogo aberto com o parceiro sobre o comportamento do casal", diz ela, comentando que o sexo pode até ser ainda um tabu na sociedade, mas que é o respeito e a conversa entre quatro paredes as soluções para tantas queixas.

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